RH´s devem se reinventar como negócio
Por Marcelo Assunção, CEO Monster Brasil
Brasil passa por um momento crítico de escassez de talentos. Esse tem sido o tema de revistas especializadas em negócios, carreiras, e nos mais diversos noticiários. Ter pessoas qualificadas para dar sustentabilidade aos negócios em um momento de expansão do mercado interno, com dois grandes eventos mundiais pela frente, trouxe uma série de urgências às áreas de recursos humanos nas empresas, sejam elas de pequeno, médio ou grande porte.
Não por acaso, um dos temas mais freqüentes durante as palestras do maior congresso de Recursos Humanos da América Latina, o CONARH, realizado em São Paulo, teve como foco a importância de um RH estratégico, alinhado às metas da empresa e que tenha políticas avançadas de atração e retenção de talentos. Eu iria além: as empresas precisam de um RH focado em resultados e, como tal, equipado com planilhas, planejamentos, indicadores, estatísticas, monitoramento e metas. Sim, cuidar de pessoas é um negócio.
Uma das pesquisas realizadas pela Empreenda Consultoria, revelou durante o evento que apenas 11% de 379 CEO´s entrevistados estão satisfeitos com suas áreas de gestão de pessoas. Esse número torna-se crítico quando na mesma pesquisa vemos que 93% desses mesmos CEO estão satisfeitos com suas áreas financeiras.
Ao contrário do que se possa imaginar, ao associarmos palavras como pessoas e negócios, metas e recursos humanos, não estamos deixando de lado a necessidade de ambientes de trabalho agradáveis e inovadores, de bons pacotes de benefícios e todo tipo de apoio necessário para o bom desempenho dos colaboradores, e sim uma postura diretamente relacionada com uma realidade contemporânea que exige dos novos executivos uma visão ampla e focada em resultados.
Mensurar ações que valorizem a imagem da empresa (employer branding), que retenham talentos e que estabeleçam indicadores específicos para a área de recursos humanos, se transformou em uma questão de sobrevivência, não só das empresas, mas para o bom desempenho das diretorias de gestão de pessoas.
Se uma área comercial necessita potencializar sua equipe para obter os resultados almejados, é preciso que o treinamento seja escolhido e otimizado para as necessidades daquele grupo de colaboradores. E logo depois monitorado. Quanto custou o investimento em treinamento? Qual o resultado esperado? Em quanto tempo? Como medir a performance de cada um após o investimento da empresa em sua formação? Quanto custa uma demissão, depois do treinamento investido? E para admitir e treinar um novo colaborador?
Ter estes resultados à mão, de forma alguma exime o RH da preocupação com o bem estar do bem mais valioso de qualquer empresa: seus colaboradores. Ao contrário: o RH estará muito mais preparado com dados e informações objetivas quando quiser negociar um aumento de seu budget para implementar novas ações de qualidade de vida, bônus ou acrescentar algum benefício. É um RH que funciona como uma unidade de negócio, com um perfil empreendedor, com prazos, metas e resultados. Com muito mais prestígio e legitimidade para apoiar gestores de todas as áreas na atração e retenção de talentos.
Essa qualificação é possível e necessária. Pensando e atuando como unidade de negócios, focado no resultado de atrair e reter os melhores talentos para suportar o crescimento das organizações, tenho certeza que os RHs estarão aliando sua peculiar capacidade e, na verdade, sua vocação para cuidar de seus colaboradores com um pensamento estruturado voltado aos resultados da empresa.. Vamos desmistificar as planilhas e ir em busca dos melhores indicadores. Certamente teremos um RH ainda mais contemporâneo que poderá contribuir de maneira decisiva para o atingimento das metas da empresa, e certamente posicionando-se como o RH estratégico que o século XVI tanto precisa.







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