Pós, MBA, Inglês, Redes Sociais e o essencial: pensar em bom Português!
Uma das minhas frases preferidas é do filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976). Dizia ele: “A linguagem é a morada do ser”. O que significa isso? Desde os seus primeiros sons de bebê, você é convidado a participar do mundo por meio da línguagem. É a língua nativa que vai lhe descrever o mundo, as cores, os números, as primeiras histórias infantis, é assim que você vai se comunicar com sua família, professores, vai expressar seus sentimentos, vai se colocar no mundo.
Entender que a sua linguagem é a sua morada fica simples em uma experiência de viagem a um país cujo idioma você não domina. Como se comunicar na Finlândia? Você será mais do que um estrangeiro, ficará isolado, sem saber como expressar seus desejos, sem mostrar quem você é ou o que pensa. O problema é se portar assim em sua terra natal.
Pois bem. Tudo isso para dizer que com tantas solicitações da carreira, “é preciso fazer uma boa faculdade”, “ter inglês fluente”, “MBA ou Mestrado”, a maioria das pessoas descuidam do seu idioma natal, no nosso caso, o Português. E vamos combinar que sem saber escrever, nada disso vai pra frente.
Escrever em 140 caracteres, criar gírias e neologismo do MSN, faz parte da evolução da própria língua, que é viva e dinâmica, e aqui não vai nenhum protesto com relação a esse novo “idioma” que a web trouxe desde que foi criada. O problema é saber girar o botão para quando se trata de redigir um projeto, um email mais formal, fazer uma redação em uma seleção de emprego, saber discernir a hora de escrever o português formal corretamente, expressar uma idéia, uma argumentação e a comunicação on line com seus amigos. Na boa, em um processo de seleção pegar um parágrafo mal escrito, mal pontuado, um erro de Português, tipo “esselente” com dois “SS” é o atalho para o “delete” do recrutador.
Poucas pessoas se dão conta dessa importância. Nem imaginam como não conhecer a própria língua, não saber expressar uma idéia, é talvez o primeiro descarte num processo seletivo. Vamos pensar algumas alternativas para esse problema:
- Se o seu caso é muito grave, não economize: contrate urgentemente um professor de português.
- Se o problema é de elaboração de idéias, vai aqui uma dica barata e valiosa: leia. Leia mais. Leia livros, ultrapasse as 25 linhas de blogs, jornais (até jornais…), tweets.
- Você pode nem imaginar, mas ao ler algo “mais longo”, está alimentando sua alma, seus conhecimentos e sem perceber, as regras gramaticais.
- Estabeleça uma meta tímida. E é fundamental que o livro seja sobre algo que você ame. Pode ser de esporte, gastronomia, Harry Potter ou Filosofia.
- Não tem problema se você prefere ler tudo isso no iPad. O importante é ousar na narrativa mais longa, em temas cada vez mais profundos, ver como são expostas idéias, conflitos, clímax, conclusões.
Acredite: isso vai ajudá-lo a pensar o mundo. A ter idéias e formular questões. Fazer a diferença. Então a dica do blog de hoje é assim bem simples: leia, faça as pazes com o Português e se estabeleça no mundo! A sua morada.
Comentários
07/07/2011 por Neusa Maria
muito bom!!! vou compartilhar!
07/07/2011 por Solon Zacarias
Talvez a repulsa que tenho da nossa gramática tenha sua nascente em maus professores. Mas o mundo inteiro diz que existem regras desnecessárias na nossa escrita. E assim, estamos entre as línguas mais difíceis do mundo justamente por isso. Me parece que regras gramaticais dubias poderiam ser revistas pela academia de letras e até extintas. Mas a verdade seja dita, jamais imaginamos que, nós brasilieiros, poderíamos ser excluidos de um processo de seleção pelo nosso português!!! Voltemos à estudar. Obs.: Alguém observou quantos erros existem no texto acima?…..Viu, você também deve estudar o português se quiser ganhar mais. Eu seguirei o conselho da matéria. Boa sorte!