Planejamento de carreira – qual a hora certa para um MBA?
De cada 100 currículos que recebo de candidatos a uma vaga de nível executivo, entre 70 e 80 possuem MBA. O número é impressionante, mas não revela o verdadeiro nível de qualificação e preparo desses profissionais para o mercado de trabalho. Isso porque muitos desses executivos não levam em consideração o melhor momento para investir em educação executiva e muitas vezes ignoram outras demandas mais importantes dos empregadores.
Qual seria, portanto, o melhor momento para investir em um MBA? Essa é uma questão comum a todos os profissionais em alguma fase de suas carreiras. Certamente não é uma decisão tão fácil quanto parece. Antes de optar por um curso de pós-graduação com foco gerencial, o profissional deve levar alguns pontos em consideração, sempre focando em seu planejamento de carreira.
Empresas
Do ponto de vista da demanda das empresas, candidatos com MBA são normalmente requeridos para cargos de gerência e diretoria, que aliam conhecimento técnico ao gerencial. Nas áreas financeira e tributária, por exemplo, é comum empresas de diferentes indústrias solicitarem essa qualificação entre os candidatos. Porém, deve-se levar em conta a cultura da empresa para entender a importância que elas dão à educação continuada.
Outra demanda importante por parte das empresas – e que muitas vezes é ignorada por candidatos que buscam um MBA – é o idioma. Encontrar profissionais com inglês fluente é um dos grandes gargalos das companhias, muito mais do que contratar profissionais com um bom ensino executivo. Por este motivo, antes de optar por um MBA o profissional deve dar total atenção ao inglês. Se o nível de fluência dessa língua não for bom, é altamente recomendável que ele invista antes em aprimorar o idioma para depois investir em qualificação executiva.
Candidatos
Do ponto de vista do candidato, é importante ressaltar que um MBA é um ótimo investimento, tanto para relacionamento quanto para conhecimento técnico. Para isso, o profissional precisa ter foco e cursar um MBA no setor em que atua – ou, pelo menos, em uma área complementar. Quem busca um MBA normalmente tem duas aspirações claras – conquistar conhecimento gerencial para galgar algumas posições na empresa em que atua ou fora dela ou fazer uma transição de carreira.
Não é sempre, porém, que os profissionais optam pelo momento adequado. Um bom exemplo é a Geração Y – ansiosos, os jovens de até 30 anos buscam crescimento rápido na empresa e acabam queimando etapas, decidindo fazer um MBA logo após saírem da faculdade. Nesse caso, o ganho será em networking e relacionamento, mas não necessariamente no aprendizado técnico e na troca de experiências concretas. Nessa fase, o profissional ainda não tem bagagem suficiente para otimizar o conteúdo ministrado nas aulas, o que pode ser pouco produtivo e até mesmo frustrante. Por outro lado, o profissional que já atua há pelo menos um ano em uma determinada área da empresa, possui segurança sobre o que deseja aprimorar e tem necessidade de trocar experiências com colegas da mesma área pode colher muitos benefícios com a educação continuada.
Quanto à qualidade das escolas, é importante ressaltar que nem sempre a escola mais renomada garantirá o melhor ensino. A qualidade da escola depende muito do segmento de atuação do profissional e da empresa em que atua. É claro que os cursos considerados de primeira linha chamam atenção no currículo e podem fazer diferença, mas muitas vezes o corpo acadêmico pode ter um peso maior do que o nome da universidade.
–
Jorge Martins, head de recrutamento da divisão Finance & Accounting do Rio de Janeiro da Robert Half
