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16 fev 2011

Para reter, o caminho será o mix de gerações

Artigo

Editor da Revista Melhor - Gestão de Pessoas

Editor da Revista Melhor - Gestão de Pessoas

 

“Um dos desafios do RH na crise de talentos será ter um olhar sob o prisma da diversidade”, afirma Gumae Carvalho, editor da revista Melhor – Gestão Pessoas, publicação oficial da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional). Em contato com diretores de RH de grandes empresas, consultores e membros da ABRH há mais de dez anos, a análise de Gumae parte do princípio de que a convivência entre diversas gerações – seniores e Ys – e de formações diferentes será um novo fator, positivo, para lidar com a escassez de profissionais qualificados.

“Existem empresas como a Fedex, por exemplo, que têm buscado, como alternativa ao apagão de mão de obra qualificada, a contratação de profissionais mais experientes”, comenta o editor. Ele destaca, ainda, que a citação da geração Y, da forma como é retratada em artigos, em blogs e por palestrantes, parece ser um bloco coeso, quando, na verdade, existem muitos perfis dessa mesma geração. Mas uma coisa permeia todos esses jovens profissionais: a ansiedade por crescer rapidamente e ter oportunidades de trabalhar em projetos no exterior, conhecer outras culturas. “O RH que quiser reter esse jovem talento terá de propiciar planos de carreira que incluam esse intercâmbio profissional”.

Da mesma forma, Gumae avalia que a importação de talentos para o Brasil tende a crescer. Sem querer citar nomes, diz que já ouviu mais de um executivo de RH dizer que, quando se trata de um talento, ele pode estar em qualquer país e cabe à empresa investir para atraí-lo e contratá-lo.”Talento é global”, destaca.

Sobre a possibilidade da vinda de uma quantidade expressiva de profissionais de fora do país para equacionar a escassez, Gumae acredita que essa pode ser uma realidade muito próxima. Especialmente por causa da explosão de segmentos estratégicos como é o caso do gás, óleo e energia de um modo geral. “Formamos 38 mil engenheiros ano. Um número pequeno comparado ao de outros mercados emergentes. E muitos desses profissionais são seduzidos pelo mercado financeiro. Eu mesmo tenho amigos nessa situação.” Um exemplo de como o país pode ser cada vez mais ponto de chegada de executivos é a discussão recente sobre o percentual de brasileiros que irão atuar nos projetos de extração do Pré-Sal.
Uma das saídas para enfrentar a escassez de mão de obra é investir na formação dos colaboradores e, nesse aspecto, o editor percebe existir no mercado uma retomada de investimentos nessas ações. “Mostrar que a empresa está preocupada com a capacitação do profissional não deixa de ser um fator de atração”, comenta. E, em muitos casos, de preocupação também, em especial por parte das organizações que temem preparar um funcionário e, depois, perdê-lo para o mercado. “Isso faz parte do jogo, mas quando a companhia oferece mais do que treinamento, esse medo pode diminuir.” Ele se refere a ter um ambiente saudável no trabalho, um bom clima organizacional, um bom pacote de benefícios e uma boa remuneração. “Isso nem sempre custa muito. Mas, com certeza, custa menos do que perder as pessoas certas.”

Gumae comenta que o processo de retenção dessas pessoas certas começa no recrutamento e seleção do pessoal. “Certa vez, ouvi de um grande executivo de RH que é preciso mostrar verdadeiramente a empresa e olhar para o futuro do profissional na companhia para poder errar menos nesse processo. Acredito nisso. É como num casamento: É como o casamento: você tem de pensar que é para sempre, ter esse encantamento. Às vezes dá certo, às vezes dá divórcio. Mas na hora da aliança, tem de acreditar”, brinca o editor.

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