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13 dez 2010

O cinema e o mundo do trabalho

Artigo

Desde que o blog foi reestruturado, perseguimos uma meta: colocar sempre uma cena de filme, comercial ou imagens diversas relacionadas ao tema do artigo. E toda semana, quando dedicamos o espaço aos profissionais de RH, depois de horas pesquisando em sites de cinema ou no youtube, não se trata exatamente de uma tarefa fácil. Sim, existe uma vasta cinematografia cujos roteiros abordam o mundo corporativo. Quando nos lembramos ou achamos algum filme, pouco depois vêm o desânimo… São tramas em que há intolerância, chefes tirânicos, desvios de verbas e assim por diante.

Faça esse exercício. Que filmes sobre emprego vem à sua cabeça? Novos “clássicos” como “Secretária do Futuro” que retratava uma secretária ambiciosa que se passa por chefe em alguns dias. “Como enlouquecer seu chefe”, uma comédia ótima, mas não anima em nada uma carreira executiva. Filmes de ambientes tecnológicos também tem hackers, senhas e alta competitividade. Não dá para deixar de citar o tragicômico francês “O Corte”, em que um executivo altamente especializado se vê desempregado e como poucos possuem suas qualificações, resolve assassinar um por um para que a próxima vaga, seja inevitavelmente, dele.

Felizmente, quando se trata de exemplos de liderança, não há escassez. O consultor César Souza costuma colocar em suas palestras uma cena de “Invictus”, filme de Clint Eastwood, quando Nelson Mandela conversa com o capitão de rugby da África do sul e faz questão ele mesmo de servir o chá, reconhecer o trabalho do jogador e humildemente expõe sua solicitação. Nada mais, nada menos do que tornar o time da África do Sul campeão no torneio mundial do esporte.

Mas histórias de liderança no mundo das empresas… raras são as películas. Não se tira aqui o mérito de roteiristas e cineastas que trazem um olhar crítico para a forma como as corporações lidam com seus executivos e colaboradores de todos os níveis. São percepções muito bem fundamentadas na realidade, casos verídicos ou simples constatações por meio de pesquisas desses ambientes. A questão é: teremos num futuro próximo muito mais histórias de gestões vitoriosas, em que funcionários possuem liberdade criativa e espaço para inovação nas telas do cinema?

Esperamos que sim. Desde que o ranking das melhores empresas para se trabalhar, por exemplo, foi criado, existe um burburinho positivo todo início de ano nas companhias para que o RH consiga entrar na preciosa lista. E há pelo mundo dezenas de listas similares que prestigiam as boas práticas de gestão. Quando a consciência por parte de acionistas, gestores e áreas de RH estiver convicta do retorno financeiro, intelectual e competitivo que um ambiente de trabalho baseado na confiança, no reconhecimento, na descentralização responsável, teremos cases dignos de cinema.

Vamos torcer. Vai aqui a dica de um nicho de mercado para os cineastas: transformar em belos filmes também empresas que ousam e apostam em seus recursos humanos. Bom para os funcionários, bom para os acionistas e melhor ainda para esse blog, que gastará menos tempo para achar cenas animadoras para quem está construindo sua carreira.

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