Segundo pesquisa recente realizada pela consultoria Randstad, 61% dos profissionais brasileiros resolvem questões do trabalho em momentos de folga ou no seu tempo livre. Outro dado da pesquisa aponta que 36% precisam estar disponíveis para assuntos relacionados ao trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana. Mas será esse um comportamento tipicamente brasileiro?

A coach Jaqueline Weigel acredita que falta método ao profissional brasileiro para priorizar tarefas
Para a coach Jaqueline Weigel, diretora da Weigel Coaching e do Núcleo de Coaching Integração, esse percentual deve ser ainda maior. “Levar trabalho não é só fisicamente, mas também psicologicamente, mentalmente estar ligado ao trabalho”, explica. Wiegel acredita que esse volume de tarefas se deve a muitos fatores, mas certamente a dificuldade de administrar, além de um volume excessivo de tarefas.
“Falta método, priorização do que fazer. Brasileiros querem fazer tudo ao mesmo tempo. Em empresas fora do país que diversidade cultural, essa deficiência de métodos fica muito visível”, observa a coach. Na avaliação da especialista, esse é também é um gap da própria formação das escolas de negócios do país. “Outras instituições tem uma metodologia mais focada nesse tema”. Cabe aos chefes também compreenderem quando há uma negativa por parte do colaborador. “Os antigos chefes não sabem ouvir “não”, mas o líder do século XXI sabe que o “não” é importante”, destaca.
Já Irene Azevedo, professora da BBS Business School e diretora de negócios da LLH|DBM, disse em sua palestra para o Monster Brasil, que esse é um problema da cultura latina. “Talvez por complexo de inferioridade, queremos mostrar trabalho, que somos capazes. Trabalhamos demais. Em qualquer outro país as pessoas saem às cinco horas da tarde e vão cuidar de sua vida pessoal”, compara.

A engenheira química Erika Chaer Dib mora em Belfast e sai todo dia às cinco da tarde
Morando no Reino Unido há dois anos, atualmente em Belfast, na Irlanda, a engenheira química Erika Chaer Dib, 31 anos, concorda. “Aqui as jornadas são muito mais respeitadas. Você pode estar fazendo o relatório mais importante, mas se deu seu horário, todo mundo respeita sua saída”.
A engenheira pondera, no entanto, que essa característica “hard workers” do Brasil está relacionado também ao ritmo de crescimento do país. Erika destaca que todas as multinacionais contam atualmente com o desempenho de países do Brics para terem um resultado global positivo, uma vez que não podem mais contar com mercados estagnados como o europeu.
“Além disso, a abundância de empregos que temos hoje nunca foi o cenário predominante. Então fomos educados a agarrar com “unhas e dentes” o emprego que temos e assim aturar de forma mais acomodada essas jornadas extras”.

Mesmo no agitado mercado publicitário, Joniel Franco não leva trabalho para casa
Para Joniel Franco, 40 anos, que já atuou como publicitário durante seis anos em Barcelona, e desde 2006 na Alemanha, atualmente diretor criativo da Agência Blast Radius, mesmo com toda a adrenalina própria da área de publicidade, os funcionários costumam sair do trabalho por volta de cinco horas. “Em geral o pessoal não leva trabalho pra casa. Eu mesmo não gosto. Aliás nem consigo. Quem faz isso normalmente são os freelancers, e mesmo assim, só os mais perfeccionistas”, diz Franco.

As pessoas estão mais temerosas com seus empregos, avalia Renata Klawer
A designer brasileira Renata Lucena Klawer, 38 anos, residente em Barcelona há mais de cinco anos também confirma: apesar de toda a crise financeira na Espanha e em toda a Europa, as pessoas trabalham somente oito horas por dia. “Existe sim uma mudança no volume de trabalho, um temor de perder o emprego, porque como toda crise, houve redução de pessoal e consequentemente, mas trabalho para quem se manteve na posição. Ainda assim, as jornadas são muito respeitadas”, explica.
DICAS – Com mais de 2.000 horas de atendimento individual, em grupo e de equipe, Jaqueline Wiegel afirma que em seus atendimentos o fato mais comum em casos de baixa produtividade é os profissionais admitirem não saber administrar o tempo durante o expediente. Para quem quer reduzir a jornada e não levar o trabalho para casa, a coaching deixa algumas dicas:
- Ter clareza do seu papel na empresa, quais são exatamente as suas funções;
- Saber o que é preciso ser entregue do seu trabalho, qual a expectativa com as suas atividades;
- Usar a matemática para saber o que é possível fazer, calcular prazos e comunicar com segurança o que é possível fazer;
- Saber dizer “não” para novas demandas;
- O ideal é que as pessoas façam o planejamento das ações durante 80% da jornada de trabalho e em 20% as execute
- Lembrar-se que trabalho é muito importante, mas não é tudo. Caso contrário, a possibilidade de adoecer em algum momento é grande.
- Blindar a vida pessoal.
E o que você acha de tudo isso? Você também leva trabalho para casa? Mande seu comentário para nós!
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