Programas de qualidade de vida ou… mais uma pressão?
Gestão de Pessoas, Qualidade de Vida

Coerência é fundamental
Conheço um consultor de RH que costuma brincar que não troca um chope e dois pastéis entre os amigos por um programa de qualidade de vida. Experiente, na verdade ele se referia aos extremos que algumas empresas e gestores levam na implantação desses programas dentro das empresas, criando mais uma obrigatoriedade do que um elemento de prazer na difícil tarefa de equilibrar carreira e vida pessoal.
Qual o seu hobby? Quais seus projeto pessoais? Qual a sua taxa de colesterol? Tem aproveitado o benefício do convênio com a academia? Essas perguntas podem ou não estar bem intencionadas. Elas podem vir de um colega/amigo de trabalho ou da necessidade que o RH tem de provar, mensurar, que seu esforço para o bem estar do funcionário tem resultados. Um dos grandes desafios da gestão de pessoas, mostrar em relatórios e números que o investimento da empresa tem retorno e reconhecimento por parte de seus colaboradores.
Essa busca pelas metas por parte do RH, se mal gerenciada e pouco consistente, pode gerar efeitos contrários. Certa vez, um amigo com dois filhos me relatou abismado que ao ser perguntado se tinha algum hobby, em um plano de desenvolvimento individual, disse assustado que sim, no tempo livre brincava com seus filhos. Afinal, era seu momento mais precioso para exercer a paternidade. Mas… os filhos são hobbies na visão do RH?
Frutinhas no meio da tarde, incentivos para uma vida esportiva e mais saudável e todas essas ações obviamente são bem vindas e hoje estão nas listas de boas práticas na gestão de pessoas. O problema é quando o excesso de atribuições, responsabilidades, jornadas além do expediente e remuneração inadequada não entram na contabilidade da diretoria da empresa na hora de saber o retorno dos programas de qualidade de vida.
Ser bem humorado na marra ou tomar um suquinho de chicória fica mais penoso num quadro de incoerência. Por isso mesmo, o tal chope com dois pastéis às 18 h de uma sexta-feira, com aquele sabor de tarefa cumprida, pode ser o equivalente aos planos de monitoramento das taxas de “agradabilidade” dentro das empresas.
E na sua empresa? Como são os programas de qualidade de vida? Você curte? Conte pra nós!


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